DiscoBruce Springsteen Working on a Dream

publicado em 05 Fev 2009 - 14:19

Bookmark and Share

2009
Columbia / Sony BMG

Sítios oficiais:
Bruce Springsteen
Columbia
Sony BMG

Os nomes de algumas das canções – e aquilo a que as próprias canções soam – de Working on a Dream parecem precisamente aquilo que se espera de Bruce Springsteen. Será isso mau? "Working on a Dream", "Outlaw Pete", "Queen of the Supermarket", são nomes que alguém inventaria se quisesse troçar das canções do Boss. Roçam a auto-paródia. Mas até que ponto é que isso é realmente mau? Como é que alguém a quem chamam Boss pode lançar um disco mau? Como é que manter-se fiel às expectativas é mau? Haverá respostas definitivas a estas perguntas? Provavelmente não, mas há Working on a Dream.

Cantar a classe trabalhadora, Nova Jérsia e a América – a boa América – e torná-la maior do que a vida – um lugar comum inescapável – através das canções – talhadas à medida de um estádio – sítio onde o Boss se sente em casa, especialmente ao lado da sua E Street Band – sempre foi, mais ou menos, a onda do homem. Claro, há Nebraska e uns quantos anos de carreira em que não eram estádios que se enchiam, mas sim sítios mais pequenos. Mas, regra geral, o que se espera do Boss é um riff como o de "My Lucky Day", a voz rouca a esforçar-se, um solo de saxofone alto de Clarence Clemons e um olhar de cumplicidade enquanto se toca guitarra lado a lado com Steven Van Zandt. E é isso que Working on a Dream traz.

É rock, rock "a sério", "sentido", "autêntico", "genuíno" essas coisas todas que parecem ter grande valor mas não quase nenhum: estamos a falar de um tipo que pergunta "is there anybody alive out there?" ao público da Super Bowl quando, com a sua E Street Band e a adição de uma secção de sopros e dezenas de pessoas em palco, apenas a sua voz era ao vivo, ou de alguém que canta a classe trabalhadora e é trilionário – escolha-se o significado que se quiser para esta palavra, basicamente o gajo tem imenso dinheiro. Mas, quase aos 60 anos, continua com uma energia e um talento brutais, que se traduzem em óptimas canções e um óptimo disco.
Não é um Born to Run, não é uma refutação de nada, nem sequer uma reivindicação contra o governo – Barack Obama é fã de Springsteen e vice-versa, até tocou na tomada de posse. São os mesmos sons de sempre – sopros, cordas, metalofones, pianos, etc. –, os mesmos tópicos de sempre, tão bons quanto sempre foram. Tal e qual se esperaria dele.

Rodrigo Nogueira
rodrigo.nogueira@bodyspace.net


Relacionado

Discos
The Rising
2002
por Tiago Gonçalves em 06 Set 2002
We Shall Overcome: The Seeger Sessions
2006
por Samuel Pereira em 24 Jul 2007

Últimos discos

{img200}

{banda}
{album}

{texto}

por {autor}

{img70}

Últimas

Últimas por Miguel Arsénio em 09 Fev 2010 - 13:15

Sleeveface: Madvillain - Madvillainy

Disco por Miguel Arsénio em 09 Fev 2010 - 09:33

Collapse Under the Empire
Find a Place to be safe

Últimas por André Gomes em 09 Fev 2010 - 00:16

Sleeveface: Tim Buckley - Goodbye and Hello

Disco por Simão Martins em 08 Fev 2010 - 18:10

Amanda Blank
I Love You

Ao Vivo por Miguel Arsénio em 06 Fev 2010 - 01 00

Fu Manchu / Miss Lava

Santiago Alquimista, Lisboa, 5 Fev 2010
Últimas por Nuno Catarino em 06 Fev 2010 - 16:39

Aleluia, irmãos! Joe McPhee e Chris Corsano vão ao MusicBox

 

© bodyspace.net 2002-2010