Ao Vivo Kid & Khan

publicado em 25 Set 2004 - 08:00

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Kid & Khan
Industria, Porto
25 Set 2004

A princípio, nomes como Kylie Minogue, Scissor Sisters, Moloko, Gorillaz, PJ Harvey, Blur, The Strokes e X-Wife parecem não fazer muito sentido se separados e desprovidos de uma certa lógica. Faz, depois, todo o sentido se, em dia de concerto no Industria, alguns destes nomes animassem com os seus últimos singles os primeiros adeptos à causa. O motivo da romaria era, desta vez, os Kid & Khan. Entraram em palco envergando fato e gravata e adereços Bar Mitzvah alike e desenharam desde logo uma introdução onde distribuiriam alguns elogios e insultos entre si – em tom jocoso, Khan teceu alguns comentários acerca das “sapatilhas merdosas” que Kid Congo Powers usava. Desde logo o palco tornou-se um cenário próprio para uma actuação inesperada.

Não tardou muito até que as batidas electro começassem a ser disparadas a partir de um laptop manuseado por Khan a.k.a. 4E, o músico emergente da cena electrónica de New York que tem vindo a produzir uma quantidade assinalável de música. Na guitarra, Kid Congo Powers, que já trabalhou com gente como Nick Cave, Diamanda Galas, Michael Gira, Make Up, The Fall, Die Haut, Lydia Lunch e os The Cramps coloria a tela de caprichosas doses de rock ‘n’ roll. Por vezes, seguiu pelo registo de slide guitar e até mesmo o microfone foi utilizado para o efeito. Além de músicos, Kid e Khan são dois grandes performers: a certa altura, Khan passeava-se pelo meio da plateia que, timidamente, começava a mostrar os primeiros sinais de alguma euforia. Numa das canções, Khan pediu a uma menina da assistência que subisse ao palco e o montasse enquanto este cantava: “Ride me / Ride me like a pony / Horny horny pony / Ride me...". Todos os esforços por parte de Khan para que a situação se invertesse - para que fosse ele próprio a montar a menina da assistência - saíram gorados.

As guitarras mudaram ocasionalmente de mãos, mas, à excepção de um tema mais ou menos cadenciado que por momentos formulou uma noite de luar no México, a toada manteve-se quase sempre a mesma: canções pintadas de libido, recheadas de humor, sarcasmo e ironia. Houve ainda tempo para uma referência politica, aquando da exibição orgulhosa de um pin onde se podia ler: “Stop Bush”. Apesar da curta duração do espectáculo, Kid e Khan mostraram saber o que a casa gasta. Mas a noite não havia ainda acabado: pela noite dentro, a cultura havia – ainda mais uma vez – de ajustar contas com as batidas.

André Gomes
andregomes@bodyspace.net

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